Nem o Bicho-papão aparecia
É meio surreal morar ao lado da escola em que estudei durante treze anos e lembrar das vezes em que eu pulava o muro que dividia o jardim do meu prédio e a escola pra matar aula de música, ou quando sentava numa cadeira do Laboratório de Ciências de frente pra janela e ficava admirando o vitro do meu quarto no outro lado do muro. Olhar pra outros lugares sem prestar atenção no que está acontecendo na minha frente sempre foi algo que me assolava bastante nos tempos de escola. Acho que não é muito estúpido admitir aqui que não chego a prestar muita atenção no que as pessoas falam pra mim até hoje. Ás vezes me perco na escuridão da minha mente ao som de música folk, e isso acontece quando o papo não é muito interessante, ou quando a pessoa for uma chata que não para de falar coisas ainda mais chatas! Parece até uma atitude meio arrogante, o que é na verdade! Mas não faço propositalmente... a arrogância é algo que nasceu comigo, então se o assunto não for muito legal, pode ter absoluta certeza de que irei dançar folk com a minha inconsciência.
Eu passo todos os dias na frente da minha ex-escola, e noto que ainda existem certas pessoas como professores, bedéis e faxineiros que continuam por lá durante todos esses malditos anos! Obviamente eles não se lembram de mim, mas eu lembro deles! De todos! Sou um cara que tem uma memória fotográfica (perdoe o meu francês) do caralho! Mas isso me fode bastante também. Tem certas coisas que não são legais de serem lembradas, e graças a essa memória de mamute, o passado volta pra mim tão rapido quanto o esquecimento de Christian Slater! Você se lembra dele?
É estranho como esse mundinho da infância em que vivi parece tão vivo na minha mente e permanecer mais forte ainda fora dela! Eu cresci! Estou barbudo pra cacete, alto, magrelo, muitas pessoas já sabiam que me tornaria "isso", estou bastante diferente daquele garotinho tímido que sempre foi sacaneado e esquecido pela sociedade do colégio! Sim o meu pênis ainda tem o mesmo tamanho daquela época, provavelmente isso seria a única coisa que faria o professor de Educação Física lembrar de mim, mas apesar de todas essas mudanças radicais que sofri, não irei julgar os fantasmas do passado de recordarem ou não de seus antigos alunos da década de 90. Ainda bem que por aqui não existem essas tais festas de reuniões dos alunos do ano de tralalá! Tá certo que nunca fui alguém lembrado, só conheci a palavra "festa" nos meus vinte anos de idade, e foi a minha mãe quem disse uma vez três dias depois do meu aniversário! Mas os fantasmas do passado não precisam saber quem sou... eu não preciso saber se o resto dos professores, bedéis e faxineiros continuam lá! Porra! Como fiquei tão obcecado com esse tipo de informação inútil? Será que eles tem Orkut? Maldita memória fotográfica! Fode com qualquer um! Mas isso não quer dizer que me tornarei um psicopata e que começarei a pendurar criancinhas mortas em cabides e guardá-las no armário. O máximo que a memória fotográfica pode me trazer é minutos de choro no travesseiro antes de dormir e uma vida de ditador no futuro, mas jamais irei pendurar criancinhas no cabide! Nem mesmo ao som de música folk!
TONY
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Não deve ser pela claridade
Já perdi a conta de quantas vezes já olhei pra um casal feio e pensei "É, pelo menos eles estão felizes". Quando serei feliz assim, como esses milhões de casais horrorosos que existem por aí? Ás vezes eles parecem se merecer. A mulher não é bonita, o cara não é bonito, nem o beijo apaixonado deles salva o conjunto, e mesmo assim, eles parecem contentes com tudo! E eu, como sempre... na mesma. É claro que não me acho o bonitão, o broto do bairro, e apesar desse novo óculos me deixar com um ar um pouco mais intelectual que o normal, a minha estética permanece a mesma quando tiro ele, a calça, a camisa e o par de meia. Gostaria que meu pênis me ajudasse nessas horas de completa nudez, mas ele anda ocupado demais contando para as bolas piadas chauvinistas. E quantas vezes já falei de gente feia? Sempre falo de gente feia! A única inveja que tenho (talvez) de gente assim é que elas parecem conseguir manter um relacionamento, e é disso que preciso exatamente agora. Aprender a manter algo! Sim, ter uma namorada parece fácil de acordo com o match.com, o complicado mesmo é manter a relação durar mais que quatro benditos meses (esse foi o mais longo que já cheguei)! E jamais será de grande importância apresentar os fatos aqui do porquê ter sido tudo tão curto, não sou um cara que fica apontando o dedo e culpando os outros publicamente num blog pelo que rola nos meus assuntos pessoais... Ok, posso fazer isso publicamente, posso até pegar num megafone e gritar "Jamais confie em mandiocas cruas! Esquente no microondas primeiro!", mas virtualmente? Nãa. Não sou assim. Se já fiz isso, era porque estava deprimido e bêbado de Nescau, e tudo que queria era consolo de um par de tetas. Tetas! Pra quê? O negócio mesmo é bunda! Adoro uma bunda, essa é a única paixão nacional que tenho o orgulho de admitir! Adoro uma bunda! Já perdi a conta de quantas vezes já me masturbei com fotos de bundas! Não importa se foi usado o Liquify, a pessoa que arredondou aquelas bundas é um gênio! Filme pornô nem se fala. A mulher tem que ter uma bunda boa, um cu rosado e uma vagina fechada! E porra! Neste país, até as feias conseguem ter bunda boa! Mas espere! Não vamos nos enganar macacada, muitas vezes a roupa engana. Exemplo disso é na praia, pelo menos na parte da manhã em Ubatuba, meus olhos doiam só de ver bunda feia! Muitas delas ficariam perfeitinhas só de roupa, que façam até um furo na parte de trás da calça pra meter lá depois, mas por favor, não exagerem em colocar o bikini sem antes verificar se a sua bunda está no ponto! Mas ei! Não quero falar de praia novamente, quero concluir o raciocínio sobre casais monstruosos que mantém relacionamentos, e para isso jogarei uma pergunta básica pra eles, pode ser? Casais imperfeitos, vocês conseguem manter também um menage?
TONY
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Não é o caminho para Eldorado
O dia em que me deparei com o diabo numa encruzilhada esperava ganhar algo mais satisfatório que uma camiseta tamanho P, calça jeans e um par de All Star com desenho de chaminhas. Apesar de estar somente usando cueca e um chapéu-côco no encontro, emplorei pro diabo por uma vida mais acochegante que uma simples roupa. Afinal, tinha sido estuprado duas vezes naquele dia (a segunda vez foi pra tirar uma dúvida), eu achava que merecia mesmo uma vida mais acochegante. Ao pedir por isso, o chifrudo riu por um tempo, então disse algo metafórico antes de sumir na sombra da placa de aviso de lombada. Pensei se isso era algo metáforo também, mas duvido de qualquer coisa metafórica numa placa de estrada.
Ás vezes me pergunto aonde estão os meus semelhantes, se é que existe um. Passei o ano novo na praia, e isso trouxe lembranças quando eu era só um garotinho virgem que ia com a família celebrar a passagem de ano na praia, pra vinte minutos mais tarde voltar pro apartamento alugado. Obviamente se eu pudesse voltaria mais cedo naquela época, mas meus pais tem esse prazer de assistir quinze minutos de fogos de artifício. O que fogos de artifício querem dizer? Não sei! Seria um significado explícito de que o novo ano será bombasticamente colorido? É. Eu não acredito nisso. Todos os meus anos começaram uma merda e irão terminar uma merda. Felizmente nessas horas de ano novo não tenho a coragem de fazer uma piadinha à la Friends de "Preciso beijar alguém até meia-noite" para assim surgir um Joey da vida do nada e me beijar! E a razão disso é que não confio na minha língua, ela se move involuntariamente. Não quero ela dentro da boca de outro homem.
Se você conhece dois amigos que falam sobre exercícios físicos e ficam fazendo abdominais e levantando as pernas pra cima e pra baixo enquanto você olha com aquela cara de tédio, acendendo um cigarro de cravo em cima do seu copo de Nescau, então você é um semelhante meu. Tá, não serei tão exigente, o cigarro não precisa ser de cravo, mas não tolerarei Toddy! Precisa ser Nescau. E não me venha com Quick!
Lembram da minha conversa sobre o karma? Pois é, o que fiz pra merecer isso? Minha ida pra Ubatuba foi de senhor ônibus, tive que ir pra rodoviária, e não sei se vocês concordam comigo ou se já estiveram em alguma rodoviária parecida com a de São Paulo, mas pra mim qualquer rodoviária da cidade me lembra uma base em Marte. Sua arquitetura me faz imaginar dentro do filme O Vingador do Futuro. Toda vez que estou nela, acho sempre que vai surgir uma ruiva gorda com um Arnold Schwarzenegger dentro. Em relação a porra do karma, e o fato de não conseguir dormir direito durante dois dias (ok, dormi durante duas horas em outra parada que tive que fazer em outra cidade, mas não considero duas horas de colchão um bom descanso), foi ter um gordo roncando no meu lado na viagem até essa parada antes de Ubatuba. Que clichê! Se Deus quer me punir, ele está com falta de idéias! E fora o roncorama no meu lado, um ridículo ser no outro lado, um pouco mais no fundo do ônibus, fazia um batuque com seu pé, dando tapinhas nas coxas como se estivesse curtindo um sambinha! Era bem provável que estava, e por causa disso ele já merecia ser atropelado por um Hummer. Ei! Samba só no carnaval! Mas me dê tempo pra subir pras montanhas antes!
Andando pelas ruas de Ubatuba, com aquele maldito sol queimando minhas costas e meu rosto, estava convencido de que não encontraria ninguém realmente bonito naquele lugar. Vai ver porque fiquei numa praia ordinária demais, e não me sentia íntimo da minha carona pra dizer "Vamos pra tal lugar e fugir desse povo feio!". Ainda mais que eu não estava sozinho no carro... mas tudo bem, não sendo um grande fã do mar, aquela água estava realmente gostosa, gostosa o bastante pra beber e morrer alí mesmo, deixar a correnteza levar o corpo pra ser pescado depois por um cargueiro chinês de ostras.
A noite veio, a querida noite do dia 31. Foi então que belíssimas garotas começaram a surgir no meio do nada. Principalmente loiras. Malditas fucking loiras! Altas, olhos verdes, bicudas! Algumas morenas saiam também, algumas japinhas, chinesas, tanto faz, mas acima de tudo, fucking loiras. Loiras, loiras, loiras! Nessa noite específica, as loiras dominaram Ubatuba como urubus feito de ouro! Quanto mais eu via mulher bonita, mais deprimido ficava. Eu estava no litoral mais popular da capital paulista, cheia, lotada pra caralho, não estava gostando nada daquilo, nunca gostei! Sim, sou turista, mas sou o tipo de turista que quer ir embora logo no segundo dia, e foi o que fiz! E o que mais me enerva, o que mais me fazia querer sair dalí o mais rápido possível era essa poluição audiovisual dessa gente que coloca música alta dentro de seus Golfs, que adoram mostrar ao mundo a bosta de música que está escutando! Seus funkesinhos escrotos, seus pagodinhos medíocres, seus forrozinhos cabaços, seus sambinhas inconvenientes, seus rockesinhos nacionais insuportáveis! Pessoas cantando junto, pulando, berrando, bebendo como se encher a cara feito um ornitorrinco no cio fosse realmente legal! Ahg! Granada na boca dessas pessoas! Granada dentro do carro dessas pessoas! Aonde está a minha paciência pra esses jovens de hoje e pra esses velhos que querem ser jovens? Mas ei! Tudo bem, valeu ir só pra ouvir comentários a respeito da minha barba. O que faz as pessoas acharem que sou realmente judeu? Ou filho do Osama Bin Laden? É, ouvi isso de monte por lá. Afinal, um magrelo barbudo sem camiseta andando em Ubatuba, um local em que pessoas são mais apreciadas pela sua aparência, barriga tanquinho, e se você for um causador, pode ter absoluta certeza de que é bem-vindo e só receberá elogios de qualquer um, e ver um ser como eu no meio disso não é muito... litorâneo.
Aaaaah, os causadores. O que são eles? O que são esses caras de barriga tanquinho, cabelo curto com gelzinho ou cabelo surfista comprido, que fica dançando, apontando o dedo pra cima, gritando "uhu", olhando para as meninas bonitas que passam pela calçada e que sorriem para eles rebolando seus traseiros redondinhos mostrando que tem capacidade pra seduzir mas que ainda tenha medo de sexo anal? O que esses caras tem de bom? Porque eles comem? Porque eles conseguem comer mulher? E porque mulher sente tesão por caras assim? Não, não to dizendo que elas deveriam dar pra mim, vai, quem daria pra mim? Eu já andei com pessoas assim e nunca consegui ser assim! Mas sério, fiquei até achando que preciso mesmo começar a fazer umas flexões!
...hum, não.
Voltando pra São Paulo, ver vinha vida passar na frente dos meus olhos naquele carro com mais três integrantes sentindo a falta enorme de um bom travesseiro, sentir as minhas costelas se esmagando depois de passar por uma lombada numa velocidade considerável pra sentir suas costelas se esmagando ao pular do banco e bater com a cabeça no teto, foi apesar de tudo, uma viagem interessante. Fico até com saudades daquele medo de dormir naquele colchão quente sabendo que o lugar era habitado por famílias distintas de aranhas, baratas e pernilongos. Tá certo que descobri a existência de barata só de noite quando uma apareceu na cozinha pra dar um feliz ano novo, mas por sorte isso foi poucas horas antes de ir embora.
Então, na vazia-pra-cacete São Paulo, ao deixar a mala pras gatas cheirarem e ter o tênis mijado pelo cachorro contente em casa, levei um susto (mas não tão grande pois o sono estava me deixando tonto) ao me ver peladão no espelho do banheiro. O pênis ainda estava lá, ainda bem, mas aquela pele clarinha deu lugar pra cor pimenta-malagueta. Minha aparência Auschwitz estava arruinada pelo torrão! Mas acho que até aí tudo bem, sabendo que em dois dias estarei branquelo novamente.
Resumindo para todos, deixo aqui o meu ódio pelas pessoas de praia. Deixo a minha querida mensagem otimista de que 2008 será um ano de merda como todos os outros. Sim, eu fui para a praia! Não era poluída, estava quente, parecia até que todo mundo mijou ao mesmo tempo naquela água pra deixá-la daquele jeito. Só me arrependo por não ter levado o Hitler (é um livro). Mas o medo principal já se foi, eu não peguei dengue!
TONY
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